Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de março de 2021

LEVE

 


Leve como o ar, como um suspiro, como uma folha que cai. Leve como o vento, como uma pluma.

Leve como a vida, que se torna pesada ao ser vivida, mas que reza todo dia para ser somente leve.

Leve tristeza. De tão pouca, quase nem sentida. Então, que a vida leve. Leve embora e me traga alegria.

Leve o medo. Mas deixe só um tantinho desse amigo, pra servir de proteção. Que não leve tudo, mas deixe o suficiente pra me ensinar a ter coragem. Aquela pra poder deixar o amigo medo ao meu alcance, falando baixo aos ouvidos quando o perigo vir sem noção.

Leve a ansiedade, que de leve não tem nada. Leve embora a mão invisível que sufoca. Deixa leve e solta a vontade pra ser livre.

Leve abraços. Leve ligeiro. Existe urgência em quem espera. Entregue de leve e abrace apertado, porque o peso vai embora quando o leve da vida envolve um coração ferido.

Leve sorriso. Aquele no cantinho da boca, quase imperceptível, que surge quando a lembrança vem. De leve vai crescendo, até que transborda naquele carinho que de leve vimos nascer.  

Leve o amor. Assim como deve ser. Leve, sereno, tranquilo e completo. Leve no peito e na alma. Leve contigo tudo o que sinto, sem peso, sem pressão.

 

JOTA B


domingo, 14 de março de 2021

ATÉ QUANDO?

 


Ninguém. Absolutamente ninguém pode tirar teu desejo imenso de felicidade.

Não há pessoa no mundo que tenha o direito de subtrair o teu direito à liberdade.

Até quando entregarás barras de ferro para que construam tua prisão?

Até quando deixarás que conduzam teu destino, por medo de caminhar só?

Até quando aceitarás viver das migalhas dos teus sentimentos, quando é possível viver a plenitude deles?

Até quando será dada permissão para que outras pessoas prendam tuas asas e impeçam teu voo?

Ninguém pode te calar. Ninguém pode te diminuir. Ninguém pode apagar o teu brilho.

Decida por ti, pela liberdade. Coragem, viva!


JOTA B


quinta-feira, 11 de março de 2021

MOMENTOS

 


Chega o momento em que você percebe que algumas guerras não valem a pena. Que sua saúde mental merece atenção e que a simplicidade é a melhor escolha.

Chega a hora em que você aprende sobre boas decisões. Sobre manter a serenidade e deixar que o tempo flua a seu favor.

Chega o instante em que você vai perceber que a razão é subjetiva e tudo pode ganhar um novo significado. Nesse mesmo instante vai optar em ter paz ao invés de brigar pela razão.

Vai chegar o tempo em que você vai notar que a liberdade é um direito inegociável. Que a felicidade é uma busca diária e que as frustrações se tornam motor para que essa busca não cesse.

Tenha certeza, a vida ensina que algumas regras não mudam. A lei do retorno existe e é implacável. Amar é simples, mas vivemos complicando. Nunca é tarde para começar, nem tampouco para recomeçar. Dinheiro não compra uma consciência tranquila. O perdão apaga o pecado, mas não apaga cicatrizes. Existe encanto e beleza na simplicidade. Amor-próprio não é egoísmo, por isso a primeira pessoa de qualquer conjugação verbal é “eu”.

Chega o momento. Não permita que passe em vão.

 

JOTA B


domingo, 7 de março de 2021

ENTRA

 


Entra, a porta está aberta.

Deixa teus calçados ali fora. Aqui caminhamos com os pés no chão.

Acabei de reorganizar a casa.

Ela é simples, mas aqui faço a minha pequena mansão.

Nas paredes, muitos quadros e algumas fissuras.

Apenas lembranças de um passado que está no passado. Das fissuras, apenas cicatrizes das histórias que não causam mais dor nem comprometem a estrutura.

Fique a vontade, conheça cada canto.

Ali na estante estão alguns livros. Neles eu conto meus detalhes. Leia com tempo e atenção.

Na sala você encontrará um sofá ruim. No quarto, uma cama boa.

Ali poderemos escrever sobre a noite, sobre o tempo, sobre a vida... Nossos corpos serão duas páginas de uma história só. Cuidado com o que escreverá. Depois de escrito, será muito difícil apagar.

Depois de uma conversa, uma noite, um texto escrito e alguma cumplicidade, espero que amanhã possa voltar.

Ao chegar, não precisa bater.

Apenas direi: entra, a porta está aberta...

 

JOTA B


terça-feira, 2 de março de 2021

SENSAÇÕES

 



Não é só te encontrar. É descobrir que é possível encurtar uma distância que achávamos longa demais. Talvez até impossível de percorrer.

Não é só te ver. É te enxergar bem mais do que os olhos podem alcançar e saber que, por vezes, vais duvidar que eu possa fazer isso.

Não é só te tocar. É sentir a alma viajar, lenta e leve por tuas curvas.

Não é só te ouvir. É sentir o doce da tua voz invadir o amargo do meu dia. Qual outro tempero me devolveria o sabor?

Não é só te beijar. É dar aos lábios a oportunidade de falar sem palavras. E há tanto a ser dito...

Não é só te abraçar forte. É envolver dois universos em um infinito, sem tentar entender. Apenas sentir.

Não é só conversar. É te conquistar todos os dias, com flores ou espinhos.

Não é só esperar. É saber dar tempo ao tempo e aprender a virtude da paciência, fluentemente.

Não é só lembrar. É te guardar em segredo dentro do peito, porque ali descobrimos ser possível.

É experimentar sensações. E delas extrair o sumo de uma vida inteira.

 

JOTA B


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

ORAÇÃO DO DIA

 


Que eu acorde com jeito de novidade, porque cada dia é uma nova história.

Que eu tome café com gosto de oportunidade, porque é sempre bom o sabor de uma nova experiência.

Que eu me vista de esperança, porque existem dias bons e ruins. Esse ciclo se chama vida.

Que eu me encontre todos os dias, mesmo estando em meio ao caos.

Que eu te encontre em abraços, beijos ou bagunçando o lençol da minha cama, mas também te encontre nos momentos em que estiver só.

Que eu ame o som dos meus sapatos me levando para longe daquilo que me faz mal.

Que eu ande descalço quando lembrar que é necessário fazer pausas.

Que minhas veias contenham vida e que eu possa doar um pouco, sempre que possível, a quem realmente precisa.

Que eu possa ler as tuas boas atitudes, assim como bons livros.

Que eu esteja atento ao tamanho da maldade, porque é exatamente o tamanho da distância que preciso tomar.

Que eu possa construir boas lembranças, porque o bom da vida é amar e ser amado.

Que eu durma com gostinho de quero mais, porque o dia seguinte ainda não veio.

Tudo isso peço, em nome da humanidade, amém!

 

JOTA B


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

DESPERTAR


Um dia você vai acordar e perceber que aquela lágrima precisava cair. Aquela dificuldade precisava aparecer. Aquele medo realmente foi importante.

Nesse dia, antes mesmo de tomar seu café, você vai perceber que tudo foi feito do jeitinho que deveria ser.

Vai notar que a sua força foi forjada na luta, sua coragem cresceu quando precisou enfrentar seus medos e sua fé se fortaleceu todas as vezes que encontrou novas batalhas.

Descobrirá a grandiosidade que existe dentro de si. Vai dar o real valor e importância naquilo que você entrega, usando o melhor da sua energia vital.

Talvez vá entender o porquê o Grande Autor da vida demorou sete dias para fazer quase tudo, sendo que para esculpir cada pedaço seu, demorou nove meses.

Chegará o dia em que você vai compreender que o tempo não se conta no relógio. Que o passado um dia foi presente e que o futuro ainda será, mas o verdadeiro presente é agora. E você precisa dar esse presente a si mesmo.

Nesse dia você transformará dúvidas em certezas. Enigmas, em descobertas.

Espero que perceba que o grande amor da sua vida é você. Todo o resto é de presente.

E é no presente que a vida acontece.

 

JOTA B


 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

EU QUERO VIVER


Desperta, menina!

Acorda da tua inércia. A voz que te calava, se calou.

Deixa florescer o teu universo. Aquele que era um sonho, hoje se faz real.

Mostra a força que sempre existiu, mas que o dominante suprimiu atrás do medo de ser dominado.

Ensina como se faz, afinal seu jeito é de aula, não de jaula.

Acende a chama que existe em ti. Precisamos da tua centelha de vida.

Move tuas asas, antes encolhidas e sai do ensaio para o voo definitivo.

Coragem, menina!

Solta o grito do fundo da alma.

Liberdade! Eu quero viver, não apenas existir.

 

JOTA B


 

sábado, 13 de fevereiro de 2021

LIBERDADE

 



Quero liberdade para ser livre, mesmo estando com alguém.

Quero respirar espontaneamente. Inflar meus pulmões de poesia e soltar versos ao vento.

Sentir o gosto salgado do mar e a doce sensação de caminhar pela areia.

Quero pensar diferente do óbvio, porque o óbvio é complicado e a vida pode ser mais simples e leve.

Esquecer a toalha molhada sobre a cama, sem culpas. Se o lençol ficar úmido, não se queixe. Ali sempre contamos lindas histórias.

Quero ouvir a voz do vento. Ele conta grandes segredos sobre a vida.

Deitar-me na grama verde, olhar o céu e dar nomes para as formas das nuvens.

Quero deixar o tempo ser o tempo. Ele tem poder de curar, ensinar e resolver vários problemas. Tudo ao seu tempo.

Quero ser apenas eu, sem tentar ser outra coisa.

 

JOTA B


sábado, 9 de fevereiro de 2019

SOMOS INSTANTES





Ainda lembro o dia em que estava no aeroporto. Aquele vasto saguão, pessoas indo e vindo, monitores de vídeo informando os atrasos dos voos por conta da chuva forte que caía. Já havia despachado malas e equipamentos e não havia outra coisa a ser feita senão esperar. Cheguei com a antecedência necessária, mas como havia atraso no meu voo, aproveitei o tempo e fui tomar um café. Cheguei a um aconchegante bistrô e, com certa dificuldade, encontrei uma mesa. Da minha bagagem de mão, tirei um livro e continuei a leitura enquanto aguardava a chegada do meu café. Tentei disfarçar, mas confesso que aquele momento não me convidou a mergulhar na história do livro. Claro, havia um motivo. Logo ao chegar, percebi que Ela estava sentada numa mesa próxima. Havia muito tempo que não nos encontrávamos. Namoramos durante quatro anos e foi intenso. Uma história que ficou marcada na história. Depois do fim do relacionamento, não havíamos mais nos encontrado.

Na mesa do bistrô estava eu, um café, um livro e milhões de lembranças. Seria clichê dizer que um filme passou na mente? Talvez, mas foi exatamente isso que aconteceu. Temos gostos muitos parecidos. Um deles é viajar. Aquele ambiente de aeroporto me fez voltar no tempo e relembrar algumas das loucuras que fizemos. Uma dessas foi nesse mesmo aeroporto. Meu voo estava marcado para a madrugada. Saímos de casa quase onze horas da noite. Tempo mais que suficiente para o check-in e despacho da mala. No caminho encontramos ruas vazias. Enquanto eu dirigia, Ela tentava tirar minha concentração me olhando desejosa e passando suas mãos em minha perna. Quanto mais próximos estávamos do aeroporto, mais ousadas eram as suas carícias. Chegamos ao estacionamento e procurei uma vaga mais distante e discreta possível. A essa altura, meu corpo já havia reagido completamente as carícias recebidas durante o trajeto. As películas escuras nos vidros do carro contribuíam para um ambiente mais privativo, mas não o suficiente para impedir a chegada de alguém. Essa mistura era muito excitante para ambos. Sem abrir as portas, Ela passou para o banco traseiro. Não eram necessárias palavras para ouvir me chamar. Minha camisa já estava praticamente aberta. Faltavam apenas dois botões. Também fui para o banco de trás, cheguei bem perto o olhei no fundo dos olhos dela. Era possível sentir a respiração mais forte. Beijei-a intensa e loucamente. Tirei sua roupa e aproveitei o pouco tempo que ainda me restava para mergulhar fundo naquelas curvas que sempre em encantaram. Explorei cada poro da pele dela, que sentia arrepios durante minha expedição por aquele mundo repleto de docilidade e certa malícia. Ela retribuiu cada gesto de carinho com mais carinho. A entrega era plena, apesar de estarmos dentro de um carro em pleno estacionamento de um aeroporto. Para nós, naquele momento não importava o lugar, mas o próprio momento. Somos instantes, ali era o agora e necessitava ser vivido.

Com o tempo estourando, nos refizemos, saímos do carro e pegamos as malas. O atendente do estacionamento nos olhou com aquela expressão típica de saber que aquela demora dentro de um carro fechado, tinha bom motivo.
Ela me acompanhou durante o check-in e permaneceu comigo até a hora da entrada na sala de embarque. Minha volta estava prevista para o dia seguinte, mas a intensidade que colocávamos nos momentos juntos, dava a impressão que a viagem demoraria meses.

Ainda no bistrô, fui acordado das lembranças com um cumprimento. Quando percebi, Ela estava em pé ao meu lado. Olhei pra cima e, sem tempo de reação, ganhei um beijo. Aqueles inesquecíveis lábios macios foram tão rápidos que não pude negar o gesto. Com olhar carinhoso, Ela disse que ouviu a confirmação do seu voo e estava indo para a sala de embarque. “Te vejo por aí”, foi tudo o que ouvi naqueles poucos segundos. Poucos e eternos segundos.

Mais uma vez a vida me mostra a oportunidade de ser intenso. De fato, somos instantes.

sábado, 22 de setembro de 2018

APENAS EU POSSO TE SURPREENDER



“Senhor! Senhooor! Isso aqui caiu da sua cesta de compras!”, dizia uma voz feminina, levemente rouca e doce que ouvi por trás de mim. Virei a cabeça para verificar se era comigo e dei de cara com aquele sorriso e olhar de tirar o fôlego, enquanto Ela estendia a mão segurando um sabonete. “Toma, isso aqui caiu da sua cesta”, insistia. Não poderia ter sido da minha cesta, já que nem havia passado na seção de higiene pessoal, mas resolvi não contrariar. Apanhei o sabonete da sua mão, agradeci, depositei na cesta e segui meu caminho pelo corredor do supermercado para finalizar aquela pequena lista de compras, que aliás, nem tinha “sabonete” escrito nela.

No caminho entre o supermercado e meu apartamento não consegui esquecer aquele encontro inesperado. Era uma mulher realmente muito atraente. Cabelos loiros e lisos, olhos castanhos esverdeados, pele levemente morena. Vestia uma roupa clara, que deixava o tom da pele ainda mais evidente num corpo lindamente esculpido.

Já em casa, guardei o que havia comprado. Por último, no fundo da sacola do supermercado, o sabonete. Notei que misturado aos dizeres próprios da embalagem havia um rabisco. Cheguei o olhar mais perto para decifrar. “Me liga”, acompanhado de um número de telefone. “Não é possível! Só pode ser brincadeira”, pensei.

Guardei o sabonete, mas com a crueldade da dúvida tomando até a alma. Demorou uns dois dias até fazer a prova real e ligar para saber se aquela brincadeira tinha algum fundamento.

“Alô”, respondeu aquela voz levemente rouca e doce ao atender a chamada. “Oi”, eu disse meio desconcertado por ouvir que não era acaso. Ela reconheceu minha voz de imediato e tratou de puxar assunto. Confessou que estava me observando há alguns dias e que não era difícil fazer isso, pois morava no prédio bem em frente ao meu. Me convidou para visita-la naquela mesma semana e, se eu aceitasse, iria preparar uma surpresa. Convite aceito, mas eu levaria o vinho.

Chegado o dia, comprei um ramalhete de flores, separei um dos melhores vinhos da adega, me vesti e atravessei a rua. Na portaria, o porteiro já havia sido avisado da minha chegada e, surpreendentemente, me entregou uma chave. Havia sido instruído para ir até o apartamento 1101 e ficasse a vontade. Pelo visto, os detalhes haviam sido pensados minuciosamente.

Dentro do elevador, um envelope estava preso próximo as teclas. Nele estava escrito: “para o homem que está com a chave do 1101”. Abri o envelope e li uma carta escrita em forma de poema:

”Ela deve ser sempre inesperada e também deve causar impacto. Faz bem em ocasião apropriada e não deixa teu coração intacto.
Surpresa é uma forma de alterar a vã previsibilidade das relações. Surpreender é o ato de propiciar felicidade por meio das reações.
Surpresa também é uma cortina que se abre para mostrar alegria, emoções que liberam adrenalina, sorrisos que despertam simpatia.
A surpresa é uma palavra amiga para ser dita no momento certo. É o carinho e o amor que abriga, se acaso a desolação estiver por perto.
Todos gostam de boas surpresas. Alguns tentam, querem até fazer. Ninguém entende tuas incertezas. Apenas eu posso te surpreender. Seja bem vindo!”

Quando ouvi que Ela prepararia uma surpresa, nem de longe pensava em encontrar algo assim.

Cheguei ao apartamento, abri a porta com cuidado e me deparei com aquele ambiente muito bem preparado. A decoração era de bom gosto. Ouvia-se uma música leve de fundo. A mesa estava posta e era possível ouvir o som típico de água caindo de um chuveiro. A porta do banheiro havia sido deixada aberta propositadamente. Quando Ela notou minha presença, pediu que fosse ao seu encontro, ali mesmo. “Por favor, me passe o sabonete. Está sobre o balcão”, disse aquela voz inconfundível. Para minha surpresa, havia um sabonete ainda embalado, da mesma marca daquele que “eu havia deixado cair da cesta”. Ao virar meu corpo para entregar o sabonete, não pude deixar de notar aquela linda silhueta escondida parcialmente pela mistura de vapor e gotas de água que se prendiam no vidro que nos separava. “Vem, entra no banho comigo”. Fiquei sem reação. Ela abriu a porta de vidro, revelando o que as gostas de água e o vapor insistiam esconder. Sorrindo, me pegou pela mão e me levou até onde ela estava. Minha roupa estava sendo molhada enquanto Ela se preocupava em resolver aquele assunto. Tirou cada peça sem tirar os olhos dos meus olhos. Palavras não cabiam naquele instante. A descoberta recíproca era intensa, através de toques sutis intercaladas de pegadas mais fortes. Beijos e carícias se misturavam ao vapor. Os sons dos gemidos se confundiam com os sons da água e da música. Nossos corpos se entrelaçaram e se completaram de tal forma que o tempo era apenas cúmplice daquela entrega. Sentíamos a pulsação acelerada, a respiração alterada. Nossos corpos reagiam ao prazer completo. Total. Sem pudores ou julgamentos.

Passado aquele inesperado e prazeroso banho, recebi um roupão e um convite. “Vamos jantar? Preparei uma surpresa pra você...”

terça-feira, 21 de agosto de 2018

A GENTE "SE ESBARRA" POR AÍ...





Era uma noite fria qualquer. Chovia pouco e a hora entrava madrugada a dentro. 
Aquela noite foi especialmente boa. Amigos reunidos, muita festa, boas risadas, bom vinho. Tudo havia sido minuciosamente planejado. Eu era um dos poucos que ainda estava sóbrio. Minha tolerância a bebidas tinha um limite muito aquém dos meus amigos e a régua havia chegado ao limite do tolerável. Junto a calçada, a fila de táxis denunciava o fim da festa aos que passavam por aquele lugar. Saí sozinho, fui até o estacionamento, entrei no meu carro e ouvi o som de uma notificação de mensagem no meu celular. Era a Jaque, a anfitriã. Pedia carona para uma amiga, que estava na festa e morava num condomínio que ficava no caminho, que eu provavelmente faria até minha casa.

Saí do carro, voltei até a entrada e lá estavam as duas à minha espera.

Engraçado, entre tantas pessoas naquele lugar, foi difícil acreditar que eu não tinha notado a presença daquela mulher tão linda. Jaque, sorridente, agradeceu pela amiga e aproveitou para me apresentar. Aquela troca de olhares me fuzilou, mas me mantive firme. Cordial, cumprimentei-a com um beijo no rosto, daqueles bem informais. Ela foi mais ousada. Também me deu um beijo no rosto, mas usou bem o limite e chegou ao canto do meu lábio. Naquele instante pude perceber, mesmo que de um jeito fugaz, o perfume, a maciez daquele lábio e a intensidade daquele momento. Jaque notou que houve algo diferente naquele instante e tratou de sair rapidamente.

Acompanhei Ela até o estacionamento, abri a porta do carro e deixei que ficasse confortável. Saímos na direção certa, porém decidimos pegar alguns atalhos. Desses que a vida apresenta e você precisa decidir se vai e arrisca ou faz o caminho convencional, mais longo e com destino certo.

No caminho, ousamos sentir a textura da pele um do outro, o aroma, o sabor. Resolvemos desvendar curvas ainda desconhecidas e acelerar para parar o tempo, num paradoxo improvável. 

Aquele trajeto, que poderia ser feito em, no máximo, 15 minutos, foi feito em não menos que 4 horas. 

Atalhos normalmente encurtam distâncias e tempos. Aquele, alongou a vida.

Ela tecia poesia em forma de movimento. O efêmero se fez eterno. Pelo menos naquele instante, não havia nada mais além de duas almas que se entregavam ao prazer da vida.

Intensidade resumiu tudo o que aconteceu no trajeto, interrompido uma única vez.

Somos instantes. E a soma deles, chamamos vida. Se a vida é breve, poderia dizer que encontrei felicidade naquele breve momento.

Ao chegar em frente a sua casa, ouvi um “amei” saindo daqueles lábios recém descobertos. 

Inebriado pelo calor do momento, ainda pude ouvir aquela voz suave me dizendo com tons de continuidade: “a gente se esbarra por aí”, enquanto sua silhueta, aos poucos, se desfazia, misturando-se a escuridão da noite.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

AQUELE PRIMEIRO BEIJO QUE TE DEI


Quando queremos muito alguma coisa, é difícil não criar expectativa, mesmo que ela tenha o tamanho da unha do seu menor dedo do pé. E não é que isso seja ruim, pelo contrário. O que atrapalha são os excessos.

Uma expectativa boa gera cuidado com preparação, uma dose de ansiedade, sorrisos gratuitos, adrenalina, suor frio, aquela tremedeira imperceptível nas pernas e tantos outros sintomas. Olhando uma pessoa assim, é muito fácil perceber que está apaixonada.

Imagina só. Você está aguardando e, finalmente, terá a grande oportunidade. O primeiro beijo é um marco importante, apesar de muitos homens não darem o seu devido valor e os tempos atuais não darem tanta importância a isso.

É chegado o grande dia. O grande momento. Tudo preparado. De repente, ele ou ela aparece e você poderá dar seu primeiro beijo no seu filho ou sua filha, que acabou de nascer.

Poderá dar seu primeiro beijo no seu pet, que acabou de chegar.

Poderá receber o primeiro beijo da criança que acabou de aprender como estalar a boca, quando encostada no seu rosto.

Poderá dar seu primeiro beijo em alguém muito especial que, de tão longa viagem, demorou para chegar.

Ah, claro, também poderá dar o seu primeiro beijo no seu namorado ou namorada. Aquela pessoa especial que faz seu coração bater mais forte, cada vez que existe o encontro.

Não haverá outro primeiro beijo. Não haverá outro primeiro encontro. Então, valorize o momento. Aprenda a repetir a dose, quantas vezes forem necessárias. Viva intensamente cada uma delas, porém dê valor ao marco inicial.

A partir dali, serão alguns beijos roubados, mais sorrisos gratuitos, outros motivos de tremedeiras nas pernas, outras histórias, outros momentos, outros instantes.



João Borges
Escritor – Joinville/SC

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

SIM, NÓS TEMOS ESCOLHA.


Tenho acompanhado uma discussão nas redes sociais no que se refere ao aborto.

Será que minha visão das coisas anda tão deturpada assim? Ou será que as pessoas, no calor do debate, acabam se perdendo nos trilhos do assunto e acabam descarrilando os mais diversos vagões carregados com os mais variados tipos de ideias? – algumas delas sem o menor sentido.

Precisamos parar e analisar alguns pontos. Percebo que nessa discussão - e em outras pode se aplicar o mesmo - estamos errando em dois pontos fundamentais

O primeiro é nossa postura diante do contraditório. Virou moda destilar veneno, armar-se de ódio, unhas, dentes, punhal, revólver e algumas outras armas, para entrar num debate. 

No nosso processo evolutivo, retrocedemos e resolvemos à moda antiga, dando ares de inspiração nos filmes de “velho oeste”.

Um segundo ponto, não menos importante, é a mistura que está sendo feita diante de um assunto tão complexo, neste caso, o aborto.

Tudo começa com um PEC (Projeto de Emenda à Constituição), que criminaliza o aborto, incluindo os casos atualmente permitidos.

Sinceramente, a discussão começa muito antes de qualquer lei instituída. Pela escolha, ou não, a pena já é dada pela própria vida.

Uma das coisas que aprendi com meus pais é: “não faça com os outros, aquilo que não quer que faça com você”. Parece clichê, não é mesmo? Sim, e muito. Entretanto, se ampliarmos o contexto ao que essa frase clichê pode ser aplicada, podemos nos surpreender.

Vamos inverter a receita dos meus pais? Que tal fazermos para os outros o mesmo que queiramos que seja feito a nós?

Considerando os debates sobre aborto em caso de estupro, tônica da atual discussão, pergunto: a quem queremos punir? Estaremos resolvendo o problema com a execução de um aborto? Você, que defende o “direito” ao aborto, pode até argumentar sobre o direito da mulher em relação ao seu corpo, sobre os traumas decorrentes disso, enfim. Posso dizer que em nenhum de seus argumentos, o bebê terá culpa. E mesmo assim, está sendo sentenciado a morte por algo que ele não cometeu. Ao culpado pelo crime de estupro, que seja aplicada a pena. Esse sim deve pagar (e muito) pelo que fez. Ao bebê, infeliz inocente, deve ser dada a pena capital por estar no lugar errado e na hora errada? Mais um número nessa guerra informal.

Outra coisa que você, defensor(a) do “direito” ao aborto, pode dizer é: “é fácil falar tudo isso sendo homem, quando você passa por nada disso”. Confesso que ouvir ou ler isso me fere profundamente. Fere na dignidade de pessoa, de pai, de ser humano. De fato, não posso engravidar, sentir o movimento de um ser dentro de mim, amamentar ou viver qualquer momento próprio da mulher. Mas posso defende-lo. E vou. Dentro do corpo de uma mulher grávida, pode ter outra mulher que terá seus direitos defendidos. Poderá ter o corpo de um homem, que poderá ser educado para ajudar a defender esses mesmos direitos.

Não quero discutir ou tirar direito algum sobre o corpo da mulher. Não tenho esse direito. Ninguém tem. Porém, estamos discutindo os direitos que devem ser mantidos sobre outro corpo que se desenvolve dentro da mulher. Também não devem ser tirados. Não temos esse direito. Ninguém tem.

Num estupro, a mulher fica dilacerada em sua dignidade física e psicológica. Num aborto, também. Alguns motivos que podem fazer do aborto uma escolha podem ser: olhar a criança e lembrar da ferida, ter um filho não planejado – ainda mais, decorrente de uma violência, enfim. Pois bem, optando pelo aborto, a mulher terá duas feridas para tratar: o estupro e o aborto. Será que abortar é a saída menos traumática, já que traumas existirão de uma forma ou outra?

Efeitos psicológicos (e por vezes, físicos) precisarão de atenção especial, independente da escolha. Não há como fugir disso.


Sigo em frente, defendendo o direito a dignidade e a vida com a receita simples dos meus pais. Não quero para outros, o que não quero que façam para mim.


João Borges
Escritor - Joinville/SC

terça-feira, 19 de setembro de 2017

OS ÚLTIMOS SERÃO OS PRIMEIROS



Hoje acordei com aquela sensação de que nem deveria ter acordado. Sabe aqueles momentos em que você olha em volta e percebe que nada faz sentido? Tudo na vida parece estar dando errado. Não faz sentido tentar, tentar, tentar e não conseguir resultado. 
Tudo e todos parecem estar contra mim. O que fiz de errado? Bom, isso agora não importa. Quero dar um fim a isso tudo.

Assustador, não? Mas a verdade é que o desânimo bateu a porta e, por N motivos, resolvi abrir. Esse foi o início de um processo que foi crescendo dentro de mim e ninguém percebeu. Nem eu percebi. Quando me dei conta, já não conseguia mais controlar.

Ao mesmo tempo em que o desânimo fazia companhia em meu café da manhã, outra voz - que mais me lembravam aqueles desenhos animados onde um anjo e um demônio, um a cada lado do personagem, davam conselhos – me dizia da importância de continuar lutando. 

Fiquei um tempo ali, sentado à mesa, refletindo uma pergunta: e se esse agora fosse meu último momento? Daria uma chance para eleger algo que fosse a última coisa a fazer antes do último suspiro?

Um último abraço, último beijo, último encontro, último sorriso, o último livro a ser lido, um último passeio no campo ou praia, o último pôr do sol, o último jogo de futebol, um último encontro com a família, a última viagem para curtir um descanso ou visitar amigos distantes, um último banho de chuva, ou um último momento de sentir uma brisa tocando o rosto, um último passeio de bicicleta, uma última caminhada ou, quem sabe, a última taça de vinho.

Difícil pensar em tanta coisa boa e eleger uma, para ser minha última ação. Quem sabe possa listar e organizar por prioridades. Mas será que dará tempo de fazer tanta coisa antes do meu último suspiro? Afinal, quando será esse último suspiro? Por que tem que ser agora?

É, nem tudo parece ter perdido o sentido. Com tanto a ser feito, meu desejo é que esses últimos desejos, na realidade, sejam os primeiros.

Que seja uma imensa lista de coisas a serem feitas em preparação ao que pretendo deixar como legado. Interromper essa lista é que não faz sentido.

Se você, que está lendo este texto, sentir esse “desânimo” e achar que nada mais faz sentido, procure ajuda profissional. Vale a pena viver com tanta coisa boa para aproveitar. A vida faz sentido quando dou sentido a ela. Seja diferente, dê boas razões a você mesmo para viver.

Viva muito e intensamente, mas VIVA!

Singela homenagem ao SETEMBRO AMARELO, trabalho desenvolvido pelos profissionais de saúde mental na prevenção ao suicídio.


João Borges, escritor

Joinville/SC

PERDI A CONTA

  Eu já perdi a conta das vezes que tentei te descrever. Faltou vocabulário. Faltaram adjetivos. Sobraram qualidades em meio aos defeitos...