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sexta-feira, 4 de junho de 2021

UM POUCO DE MIM

 


Sou de verdade. Tenho aprendido a lidar com sentimentos. A vida cobra um preço alto quando essa habilidade me falta.

Escrevo metáforas. Muitas delas, incompreendidas.

Na minha história, abro uma nova página. Te ofereço para que escrevas comigo.

Linhas cruas que se oferecem livres e nuas. Tanto a contar. Tanta vida a compartilhar.

Construções que se ocultam a espera de um tempo.

Tempo dado em presente, que foi passado adiante e ainda não conhece o seu futuro.

Efêmero quando se quer perpétuo. Duradouro quando se quer efêmero.

Leia-me nas entrelinhas e encontrarás os meus segredos.

Decifra minhas metáforas e verás as minhas verdades.

Quanto mais te quero, menos te tenho. Dor que se alonga pelo caminhar lento dos ponteiros.

Da página aberta, somente há espera do teu lápis, pronto para tecer novas grafias.

Quando, enfim, contaremos nossas histórias?

 

JOTA B



A LITTLE ABOUT ME


I truly am. I have been learning how to deal with feelings. Life charges a lot when there is a lack of that skill.

I write metaphors. Many of them are not understood.

In my life, I open a new page. I offer it to you to write with me.

Raw lines that offer themselves freely and nakedly. So much to tell. So much life to share.

Hiding constructions just waiting for a time.

Time given as present, which has passed on and which doesn't know its future.

Transitory when it's wanted to be eternal. Lasting when it's wanted to be transitory.

Read me between the lines and you'll find my secrets.

Decipher my metaphors and you'll see my truths.

The more I want you, the less I have you. Pain that lasts through the pass of the pointers.

With the open page, there is only the waiting for your pencil, ready to a new handwriting.

When are we, finally, telling our stories?


JOTA B



quinta-feira, 11 de março de 2021

MOMENTOS

 


Chega o momento em que você percebe que algumas guerras não valem a pena. Que sua saúde mental merece atenção e que a simplicidade é a melhor escolha.

Chega a hora em que você aprende sobre boas decisões. Sobre manter a serenidade e deixar que o tempo flua a seu favor.

Chega o instante em que você vai perceber que a razão é subjetiva e tudo pode ganhar um novo significado. Nesse mesmo instante vai optar em ter paz ao invés de brigar pela razão.

Vai chegar o tempo em que você vai notar que a liberdade é um direito inegociável. Que a felicidade é uma busca diária e que as frustrações se tornam motor para que essa busca não cesse.

Tenha certeza, a vida ensina que algumas regras não mudam. A lei do retorno existe e é implacável. Amar é simples, mas vivemos complicando. Nunca é tarde para começar, nem tampouco para recomeçar. Dinheiro não compra uma consciência tranquila. O perdão apaga o pecado, mas não apaga cicatrizes. Existe encanto e beleza na simplicidade. Amor-próprio não é egoísmo, por isso a primeira pessoa de qualquer conjugação verbal é “eu”.

Chega o momento. Não permita que passe em vão.

 

JOTA B


domingo, 7 de março de 2021

ENTRA

 


Entra, a porta está aberta.

Deixa teus calçados ali fora. Aqui caminhamos com os pés no chão.

Acabei de reorganizar a casa.

Ela é simples, mas aqui faço a minha pequena mansão.

Nas paredes, muitos quadros e algumas fissuras.

Apenas lembranças de um passado que está no passado. Das fissuras, apenas cicatrizes das histórias que não causam mais dor nem comprometem a estrutura.

Fique a vontade, conheça cada canto.

Ali na estante estão alguns livros. Neles eu conto meus detalhes. Leia com tempo e atenção.

Na sala você encontrará um sofá ruim. No quarto, uma cama boa.

Ali poderemos escrever sobre a noite, sobre o tempo, sobre a vida... Nossos corpos serão duas páginas de uma história só. Cuidado com o que escreverá. Depois de escrito, será muito difícil apagar.

Depois de uma conversa, uma noite, um texto escrito e alguma cumplicidade, espero que amanhã possa voltar.

Ao chegar, não precisa bater.

Apenas direi: entra, a porta está aberta...

 

JOTA B


domingo, 28 de fevereiro de 2021

BONECA DE PANO

 


Te encontrei, boneca de pano.

Estavas escondida, largada num canto.

Frágil, maltrapilha e com sentimentos abandonados.

Precisas reforma. Tratar e fechar os rasgos e feridas da vida.

Não é só costura. Linha nova em tecido velho, rasga.

Precisas de cuidados e reforço de mãos hábeis.

Deixa-te fazer nova. Abandona quem te abandonou.

Vai doer. Vais querer desistir. Não será fácil, mas é necessário.

Ganharás novas cores e teus olhos voltarão a brilhar.

Decide-te por novos carinhos. Outros abraços, cheios de amor, te esperam.

Te encontrei, boneca de pano.

Vem pro meu colo.

Vamos viver?

 

JOTA B


PERDI A CONTA

  Eu já perdi a conta das vezes que tentei te descrever. Faltou vocabulário. Faltaram adjetivos. Sobraram qualidades em meio aos defeitos...