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terça-feira, 4 de maio de 2021

HERANÇA

 


Não sou médico. Se fosse, meu receituário teria uma frase impressa: amanhã poderá ser tarde.

Cuida da saúde agora. Amanhã será tarde.

Queira abraçar e, se puder, abrace hoje. Amanhã será muito tarde.

Se tiver que dizer que ama, diga sem medo, mas diga hoje. Não espere. Amanhã poderá ser tarde demais.

Tem medo das consequências? Então te digo: o mesmo medo de hoje vai te acompanhar até o amanhã chegar. E adivinha? Será tarde demais.

O hoje é o presente que temos. Não desperdice.

Meu coração bate descompassado e não sei se ele chegará vivo até amanhã.

Por isso, assino aqui minha herança feita de agora: você chegou leve e inesperadamente. Sem pedir licença, resgatou as melhores versões esquecidas no baú empoeirado da minha história. Te amo por isso e sigo te amando até onde me for permitido amar.

Minha herança é simples e a deixo inteira, feita de amor e gratidão.

 

JOTA B



HERITAGE


I'm not a doctor. If I were, the following sentence would be in my prescription: "Tomorrow, it can be too late."

Take care of your health. Tomorrow, it can be too late. Hug, and if you are able, hug today. Tomorrow, it'll be too late.

If you desire to say "I love you", don't fear saying it, and do it today. Don't wait: tomorrow, it may be too late.

Do you fear the consequences? Then I tell you: the same today's fear will join you until the tomorrow's sunrise. And guess: it'll be too late.

Today is a gift: don't throw it away.

My heart beats uncontrolled, and I don't know whether it'll last until tomorrow.

So that, I sign my made-now heritage: you came softly and unexpectedly. Without any "Excuse me", you rescued the best forgotten-in-the-dusty-chest-of-my-life memories. I love you for that, and I keep loving you until when it's allowed.

My heritage is simple and I leave it entire, made of love and gratitude.


JOTA B



quinta-feira, 7 de novembro de 2019

ELA, CAUSA E EFEITO



Cheguei em casa cansado, depois de enfrentar um dia cheio de problemas. Foi um daqueles dias que mereciam uma comemoração, mesmo que simbólica. Celebrar a capacidade de “matar um leão por dia” é algo que vale muito a pena.

Ela já estava em casa. Me recebeu com aquele sorriso que me conquista e desarma. Qualquer problema perde todo sentido, diante daquele presente que Ela me oferece gratuita e naturalmente, sem qualquer esforço.  

Eu a convido para sair. Chope, bom papo e um ambiente com música ao vivo eram o suficiente para espairecer e abandonar toda a tensão daquele dia. Ela, por outro lado, parecia saber o que eu realmente precisava. Sair e aproveitar um chope é bom, mas já percebeu o quanto ficar em casa e sentir o aconchego de um abraço, pele na pele, olho no olho, é gostoso?

Independente do lugar, o que eu mais precisava naquele momento era sentir o doce sabor da reciprocidade. Ela sabia exatamente disso. A singularidade daquela mulher me impressiona. Ela me conhece de um jeito que não é necessário falar. Sabia que eu precisava daquele sorriso, daquele olhar, daquele abraço, no exato momento que entrasse em casa. Impagável.

Me joguei na proposta dela. Viver aquele instante, mesmo com toda simplicidade, era se deixar envolver por um pedido sem condições de recusa. Vem cá, fica comigo.
Música ao vivo é bom. Ativa os sentidos e relaxa. Mas você já percebeu o efeito causado pelo silêncio, quebrado apenas pela intensidade de um beijo?

Ela é assim. A resposta de uma pergunta que ainda não fiz. A descoberta diária, mesmo quando seu humor não é dos melhores. Minha força, quando sou fraco. Meu ponto fraco, quando me acho forte.

Até esqueci do cansaço. Percebeu o efeito que Ela me causa?

João Borges

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

AQUELE PRIMEIRO BEIJO QUE TE DEI


Quando queremos muito alguma coisa, é difícil não criar expectativa, mesmo que ela tenha o tamanho da unha do seu menor dedo do pé. E não é que isso seja ruim, pelo contrário. O que atrapalha são os excessos.

Uma expectativa boa gera cuidado com preparação, uma dose de ansiedade, sorrisos gratuitos, adrenalina, suor frio, aquela tremedeira imperceptível nas pernas e tantos outros sintomas. Olhando uma pessoa assim, é muito fácil perceber que está apaixonada.

Imagina só. Você está aguardando e, finalmente, terá a grande oportunidade. O primeiro beijo é um marco importante, apesar de muitos homens não darem o seu devido valor e os tempos atuais não darem tanta importância a isso.

É chegado o grande dia. O grande momento. Tudo preparado. De repente, ele ou ela aparece e você poderá dar seu primeiro beijo no seu filho ou sua filha, que acabou de nascer.

Poderá dar seu primeiro beijo no seu pet, que acabou de chegar.

Poderá receber o primeiro beijo da criança que acabou de aprender como estalar a boca, quando encostada no seu rosto.

Poderá dar seu primeiro beijo em alguém muito especial que, de tão longa viagem, demorou para chegar.

Ah, claro, também poderá dar o seu primeiro beijo no seu namorado ou namorada. Aquela pessoa especial que faz seu coração bater mais forte, cada vez que existe o encontro.

Não haverá outro primeiro beijo. Não haverá outro primeiro encontro. Então, valorize o momento. Aprenda a repetir a dose, quantas vezes forem necessárias. Viva intensamente cada uma delas, porém dê valor ao marco inicial.

A partir dali, serão alguns beijos roubados, mais sorrisos gratuitos, outros motivos de tremedeiras nas pernas, outras histórias, outros momentos, outros instantes.



João Borges
Escritor – Joinville/SC

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A MELHOR COR PARA USAR NA VIRADA DO ANO


Mais um fim de ano se aproxima e, para muitos, a tradição das cores se renova. Qual a melhor cor para usar na virada do ano? A expectativa de um ano melhor lança os olhares de expectativas positivas para o futuro, porém em muitos casos, não se olha para o passado com o mesmo critério.

E se invertermos a linha do tempo das cores para aprender um pouco mais com o passado? Se fizermos um bom exame de consciência e traduzir em cores as nossas ações no ano que está indo embora – aquilo que fizemos e que dependeu apenas de nós – qual cor usaríamos? O branco da paz? O vermelho do amor?

Não seria inteligente olhar para o futuro e esperar resultados diferentes, se repetirmos os erros do passado e do presente.

Usar o branco da paz e da pureza se minhas ações foram de impaciência causaram guerra dentro de casa ou no trabalho, não faz muito sentido. Usar o vermelho do amor se meus pensamentos foram voltados ao ódio ou divisão, também não.

Se o trabalho foi próspero e você conseguiu pagar suas contas em dia, use o amarelo sem medo. O dinheiro sempre virá como consequência de um trabalho bem feito.

Use o azul caso você tenha conseguido trilhar o caminho da serenidade. Caso contrário, não é a cor mais indicada.

Nossas expectativas do futuro serão moldadas pelas nossas ações do presente. Enfim, olhar uns para os outros e identificarmos tanto as nossas cores quanto as cores das pessoas próximas, talvez fosse um caminho de novas promessas para o ano novo que se inicia. Aquela promessa que precisa ser tão sincera quanto nosso exame de consciência.

Prometo SER melhor para usar a cor mais adequada no final do ano que vem.

Que tal?


João Borges
Escritor – Joinville/SC

PERDI A CONTA

  Eu já perdi a conta das vezes que tentei te descrever. Faltou vocabulário. Faltaram adjetivos. Sobraram qualidades em meio aos defeitos...