Mostrando postagens com marcador transformação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador transformação. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de março de 2021

ENTRA

 


Entra, a porta está aberta.

Deixa teus calçados ali fora. Aqui caminhamos com os pés no chão.

Acabei de reorganizar a casa.

Ela é simples, mas aqui faço a minha pequena mansão.

Nas paredes, muitos quadros e algumas fissuras.

Apenas lembranças de um passado que está no passado. Das fissuras, apenas cicatrizes das histórias que não causam mais dor nem comprometem a estrutura.

Fique a vontade, conheça cada canto.

Ali na estante estão alguns livros. Neles eu conto meus detalhes. Leia com tempo e atenção.

Na sala você encontrará um sofá ruim. No quarto, uma cama boa.

Ali poderemos escrever sobre a noite, sobre o tempo, sobre a vida... Nossos corpos serão duas páginas de uma história só. Cuidado com o que escreverá. Depois de escrito, será muito difícil apagar.

Depois de uma conversa, uma noite, um texto escrito e alguma cumplicidade, espero que amanhã possa voltar.

Ao chegar, não precisa bater.

Apenas direi: entra, a porta está aberta...

 

JOTA B


domingo, 14 de fevereiro de 2021

O MEU LUGAR

 


Acordei com cheiro de carinho e café gostoso.

Saí da cama com vontade de transformar o mundo. O meu mundo.

Não estranhe meu sorriso exagerado. Ele é sincero e faz parte da minha reconstrução.

As lágrimas que você viu no meu rosto são bem menores do que aquelas que caíram da minha alma.

Sei que cometi erros, mas eles definitivamente não me definem. Meus erros se tornaram lições de uma pessoa muito melhor.

Aqui dentro há um universo em expansão. Você pode fazer parte dele, mas jamais tomará posse.

Dou permissão para visitar o meu lugar. Ali as correspondências não chegam. Meu endereço não está no mapa, mas te ensino como chegar.

Não bagunce. Acabei de organizar.

Só peço que respeite.

Minha essência é meu lar.


JOTA B 


terça-feira, 15 de agosto de 2017

SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO


A célebre frase de Shakespeare na peça “A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca”, é o retrato do que fazemos todos os dias, mesmo que isso não seja perceptível: tomamos decisões. Para ser um pouco mais preciso, fazemos isso quase o tempo todo.

Ao acordar, decidimos levantar da cama “ligados na tomada” ou permanecer aqueles gostosos e revigorantes cinco minutinhos – que se descuidados, podem virar desesperadoras horas a mais.

Durante o dia, mais e mais decisões. Ir para o trabalho de carro ou a pé? Ônibus ou bicicleta? Sair agora ou mais tarde? Almoçar em casa ou na empresa? Será que vai chover? Preciso levar casaco, acho que vai esfriar. E por aí vai...

São tantas as perguntas, que as decisões são tomadas quase que automaticamente, porém existem outras que não podem ser tomadas desta forma. Algumas decisões têm o poder de mudar completamente o rumo de uma vida. Para essas, o merecimento do nosso tempo, cuidado e atenção.

Decidir casar não é como decidir comprar uma flor – mesmo sabendo que casamentos nasceram a partir de ações como essa. Decidir ser pai/mãe não é como decidir ir ao cinema – mesmo sabendo que filhos foram concebidos depois de assistir um bom filme. Decidir a profissão que irá trabalhar não é como decidir ouvir uma música – mesmo sabendo que muitas pessoas decidiram ser músicos profissionais por receberem esse tipo de incentivo.

Cada decisão que tomamos carrega consigo as consequências, e elas não podem ser ignoradas.

No livro Nove Meses e Quarenta Minutos, os personagens Richard e Amanda se deparam com um dilema. Durante uma gestação, a vida de Amanda está sob risco. Existe uma decisão a ser tomada e, independentemente do que for escolhida, ela irá mudar completamente a vida da família. Qual a decisão tomada? A melhor, na visão do casal. Se você vai concordar ou discordar da decisão deles, não sei. O importante é que a decisão foi tomada de maneira responsável e livre. Reforçando: cada decisão, uma consequência. E, nesse caso específico, uma pergunta foi respondida: decidiram pela felicidade.

Sim, ser feliz é uma decisão. Tão real, que somos capazes de trilhar nossa felicidade através das nossas escolhas. Se bem ponderadas, mais fácil. Do contrário, recomeços.

Com todas as decisões que tomamos todos os dias, será que tiramos um tempo para perguntar a nós mesmos: AFINAL, QUANDO VOU DECIDIR SER FELIZ?

Fica como sugestão, uma tarefa para ser praticada diariamente: SER FELIZ. Que tal?


João Borges

Escritor – Joinville/SC

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

“PAI, QUANTAS FORMIGAS EXISTEM NO MUNDO?...”

“A força não provém da capacidade física. Provém de uma vontade indomável” (M. Gandhi)

Quando percebemos o que temos guardado dentro de nós, nos surpreendemos. Isso é fato.

Encontramos determinadas situações em nossa vida que nos levam a questionar o quanto somos merecedores daquilo, porque tanto sofrimento, se vamos conseguir superar tantas adversidades,... São tantos os questionamentos, que acabamos sufocando o que realmente é importante.

Tenho muitas lembranças carinhosas do meu pai adotivo. Uma delas foi quando ele participou de um programa chamado “Olha o Peixe”. Não vem ao caso explicar a dinâmica do programa, mas sim as caminhadas que fazíamos entre nossa casa e o galpão da igreja onde era realizado esse trabalho.

Lembro das inúmeras perguntas que fazia, muitas delas sem muito sentido, assim como qualquer criança o faz quando quer puxar assunto com seu pai ou sua mãe, nem que seja para saber quantas formigas existem no mundo, ou se ele já tentou contar quantas estrelas existem no céu. Meu pai, pessoa de origem humilde e praticamente sem formação escolar, dotado de uma paciência que parecia não ter fim, tentava me explicar, ao seu jeito, que algumas perguntas não haviam respostas exatas. Eu mal sabia que aquele homem de cabelos grisalhos, olhos azuis e pele marcada pelo trabalho duro da roça, passava por momentos muito difíceis. Talvez ele não tenha conseguido sair dos problemas da maneira como gostaria, mas não foi por falta de vontade, muito menos por falta de força. De fato, a vida nos faz perguntas sem respostas exatas, não é mesmo?

Meu pai não deixou herança material. Isso me ensinou que o “ter” é passageiro. Entretanto, deixou o melhor legado que eu poderia receber: a vontade indomável de descobrir que sou forte e capaz de realizar coisas surpreendentes. Isso ensina que o “ser” é importante e duradouro.

Que eu tenha sabedoria suficiente para ensinar aos meus filhos sobre as dificuldades que a nossa existência enfrenta e que, apesar de algumas vezes não termos respostas exatas, somos dotados de vontades indomáveis e capazes de transformar.

Preciso fazer caminhadas com meus filhos e tentar responder as inúmeras perguntas deles, mesmo que sejam sem muito sentido...

João Borges – Escritor

Joinville/SC

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O IMPORTANTE É...

Quantas vezes fizemos um autoquestionamento sobre o que é mais importante? Quando iniciamos um processo assim, trilhamos um caminho de escolhas, prioridades e planejamento.

Procuro fazer um exercício diário para elencar quais são minhas prioridades no dia. Atenção aos meus filhos, alimentação, corre-corre, casa (e todo o arsenal de tarefas que os cuidados de uma casa demandam), projetos de longo prazo que não necessitam de atenção prioritária, projetos de médio e curto prazo que precisam receber uma atenção maior, ufa...

Nosso cotidiano é recheado de afazeres e atividades que nos fazem esquecer uma pergunta que, ao meu entender, deveria ser a primeira. QUEM é mais importante? Esquecemos dos “QUEM” e focamos os “O QUE”.
Aos pais e mães que respondem olhando o universo dos “QUEM É MAIS IMPORTANTE” é comum dar a seguinte sequência: FILHOS, ESPOSO ou ESPOSA, AMIGOS, FAMILIARES...

Aos que ainda não são pais, as respostas ficariam um pouco mais enxutas focando os PAIS, AMIGOS, FAMILIARES...

Raramente paramos para colocar NÓS MESMOS nesta sequência. Sim, eu também sou importante. Na verdade, colocaria na ponta da lista pois ninguém dá aquilo que não tem.

Desenvolver amor próprio não significa necessariamente ser egoísta. Ter amor próprio significa dizer que preciso me amar o suficiente para poder ser inteiro para outra pessoa – ou até mesmo para alguma outra atividade.

Infelizmente vivemos um surto onde a quebra ou desgaste de relacionamentos é o estopim para que as pessoas comecem a pensar em si mesmas. O fim de um namoro ou de um casamento é o que necessita para ligar o alerta vermelho. Parece que invertemos os polos, não acha? Que tal procurar desenvolver o amor próprio antes para então viver um relacionamento saudável, entregando o melhor de si ao outro?

TRANSFORMAR nossas realidades não é tarefa simples. É necessário coragem e persistência.

No livro Nove Meses e Quarenta Minutos, Amanda e Richard precisaram viver um momento de intensa transformação. Precisaram adaptar seus “O QUE É MAIS IMPORTANTE” para dedicar suas maiores atenções a “QUEM É MAIS IMPORTANTE”. Não foi fácil. Doeu, e muito. Sofreram, e... (para saber mais, vai ter que ler o livro....rsrs)

Resumindo, preciso refazer meu planejamento diário. Pensar em mim. Me amar para ser inteiro e assim, desenvolver todo o resto.

A começar por mim, e você também.


João Borges

Escritor – Joinville/SC

PERDI A CONTA

  Eu já perdi a conta das vezes que tentei te descrever. Faltou vocabulário. Faltaram adjetivos. Sobraram qualidades em meio aos defeitos...