Mostrando postagens com marcador dor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dor. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de junho de 2021

TENSÃO

 


O pescoço doía muito. Aí eu parei de usar roupas apertadas, troquei de cadeira, comprei cintas ortopédicas, fiz yoga, pilates, fui a quiropraxistas e médicos de todos os tipos, mas a dor continuava. Peso, carga, incômodo que não me deixavam dormir e as vezes até me custava a respiração.

E então? O que você fez?

Uma sábia mulher me disse que era porque carregava demais, há muito tempo.

Como é que ela sabia disso?

Só de olhar para a minha coluna tensa e comprimida, sentir com o toque daquelas mãos que carregavam as marcas da idade, na minha pele nua, ela soube.

E então? O que ela te disse?

Disse... Tantas pressões que carregou com o passar dos anos. Tanta dor e ressentimento que perdeu a conta. Carrega o próprio peso do mundo e o peso do mundo alheio.

E aí eu expirei todo o fôlego que estava trancado há mais de duas décadas.

Ela disse como te curar?

Ela segurou as minhas mãos e fez baixá-las. Pediu para soltar os ombros, levantou meu queixo e se encostou atrás de mim. Próximo ao meu ouvido sussurrou suavemente:

“Nem tudo é culpa sua. Nem tudo é sua responsabilidade. Você não pode fazer tudo. Você não pode resolver tudo. Você não precisa aceitar tudo.”

E então meus olhos começaram a soltar lágrimas grossas como cristais quebrados. Houve um momento em que pensei que choraria sangue, de tanta dor que estava sentindo.

Pouco a pouco meus ombros voltaram ao lugar. Meu pescoço ficou macio e se levantou novamente. Minhas costas se ergueram como há anos não acontecia e ouvi meus ossos emitirem um som crocante e assustador.

O peso do mundo tinha descido dos meus ombros. O peso das dores do passado tinha finalmente descido ao piso e a partir de então seria usado com degrau.

Ela te disse mais alguma coisa?

Há dores que carregamos no coração e essas não há como tirá-las facilmente. Aprenda a soltar o passado ou acabará afogando o seu futuro. Também compreenda que a falta de perdão machuca mais aquele que ressente.

 

Texto adaptado. Autoria desconhecida.

 

sexta-feira, 5 de março de 2021

GRITO DA ALMA

 


Sigo vivendo em ritos.

Cresci, aprendi e assim me mantenho. Até quando os ritos serão minha maior prisão?

A ordem, tão necessária, me afasta do extraordinário.

Viver é preciso, mas viver aprisionado não é viver.

Seria viver, morrer um pouquinho todos os dias?

As gotas suaves da morte são insípidas e carregam doses de pequenas dores. Aquelas que se suportam nos silêncios diários. Que escorrem nas lágrimas que se misturam na água quente do banho. As mesmas que são escondidas atrás de sorrisos abertos e olhares fechados.

Meu grito não está entalado na garganta, mas no profundo da alma, onde raramente alguém ouve.

Por que insistir no uso das correntes que tanto machucam? Será impagável o preço da liberdade?

Quero sentir o doce sabor da independência. Sair da zona de desconforto.

Me ajuda, Poeta Maior! As palavras acalentam, mas não bastam em si. Preciso de um abraço de quem não pode me abraçar. Do carinho de quem não posso alcançar. Preciso das virtudes do tempo e do tempo exato das virtudes.

Preciso deixar a luz da lua na poesia e voltar a ser sol. Sucumbir o grito da alma com o peso da paz e assim voltar a sentir a vida correndo nas veias.

Meu grito de hoje é voltar a ser eu.

 

JOTA B


PERDI A CONTA

  Eu já perdi a conta das vezes que tentei te descrever. Faltou vocabulário. Faltaram adjetivos. Sobraram qualidades em meio aos defeitos...