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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

“PAI, QUANTAS FORMIGAS EXISTEM NO MUNDO?...”

“A força não provém da capacidade física. Provém de uma vontade indomável” (M. Gandhi)

Quando percebemos o que temos guardado dentro de nós, nos surpreendemos. Isso é fato.

Encontramos determinadas situações em nossa vida que nos levam a questionar o quanto somos merecedores daquilo, porque tanto sofrimento, se vamos conseguir superar tantas adversidades,... São tantos os questionamentos, que acabamos sufocando o que realmente é importante.

Tenho muitas lembranças carinhosas do meu pai adotivo. Uma delas foi quando ele participou de um programa chamado “Olha o Peixe”. Não vem ao caso explicar a dinâmica do programa, mas sim as caminhadas que fazíamos entre nossa casa e o galpão da igreja onde era realizado esse trabalho.

Lembro das inúmeras perguntas que fazia, muitas delas sem muito sentido, assim como qualquer criança o faz quando quer puxar assunto com seu pai ou sua mãe, nem que seja para saber quantas formigas existem no mundo, ou se ele já tentou contar quantas estrelas existem no céu. Meu pai, pessoa de origem humilde e praticamente sem formação escolar, dotado de uma paciência que parecia não ter fim, tentava me explicar, ao seu jeito, que algumas perguntas não haviam respostas exatas. Eu mal sabia que aquele homem de cabelos grisalhos, olhos azuis e pele marcada pelo trabalho duro da roça, passava por momentos muito difíceis. Talvez ele não tenha conseguido sair dos problemas da maneira como gostaria, mas não foi por falta de vontade, muito menos por falta de força. De fato, a vida nos faz perguntas sem respostas exatas, não é mesmo?

Meu pai não deixou herança material. Isso me ensinou que o “ter” é passageiro. Entretanto, deixou o melhor legado que eu poderia receber: a vontade indomável de descobrir que sou forte e capaz de realizar coisas surpreendentes. Isso ensina que o “ser” é importante e duradouro.

Que eu tenha sabedoria suficiente para ensinar aos meus filhos sobre as dificuldades que a nossa existência enfrenta e que, apesar de algumas vezes não termos respostas exatas, somos dotados de vontades indomáveis e capazes de transformar.

Preciso fazer caminhadas com meus filhos e tentar responder as inúmeras perguntas deles, mesmo que sejam sem muito sentido...

João Borges – Escritor

Joinville/SC

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

"Meu celeiro foi destruído pelo fogo..." E agora?


Existe um ditado japonês que diz: “meu celeiro foi destruído pelo fogo e agora posso ver a lua”.

Aqui podemos ver quem é “copo meio cheio” ou “copo meio vazio”. Vai depender da forma como vamos encarar o problema.

Aprender é um processo constante. Não é fácil. Muitas vezes doloroso, sofrido, mas necessário. Digo isso porque durante muito tempo fui integrante do grupo de pessoas que enxerga o “copo meio vazio”. Dei ênfase a problemas, ao invés de aprender com eles. Fui dependente da opinião alheia. Dramatizei situações onde a solução estava diante do meu nariz. Entretanto, como disse – e reafirmo – aprender é um processo constante. Aprendi e ainda estou aprendendo.

Quantas vezes vi meu “celeiro destruído pelo fogo” e reclamei que aquele era o fruto de muito trabalho, suor, noites sem dormir, esforço e dedicação. De fato, não é fácil perceber o mundo desabando sob seus pés. A verdade é que a vida é muito louca as vezes. Apresenta problemas que parecem eternos labirintos. Nos sentimos perdidos, sem norte. E agora? Meus Deus!

Só que para cada canto escuro, haverá sempre um facho de luz. E por menor que seja esse facho, ele nos permite enxergar a solução. Para cada “celeiro destruído pelo fogo” haverá sempre um “agora posso ver a lua”.

Quando conheci a história que conto em “Nove Meses e Quarenta Minutos”, percebi que havia encontrado a personificação de tudo o que disse até aqui. O casal que viveu a essência da história contada no livro, me ensinou – e ainda ensina – que somos capazes de colher sorrisos sinceros a partir de lágrimas. Somos capazes de produzir transformação a partir de nós mesmos. Somos capazes de dar a volta por cima, por maior que seja o problema. Somos capazes... Sim, realmente somos.

Parece chover no molhado, mas incrivelmente isso passa despercebido por muita gente.

Focar o problema não é o caminho. Encontrar lições e achar alternativas a partir dele, sim.


João Borges

Escritor – Joinville/SC

terça-feira, 1 de agosto de 2017

A CORAGEM PARA ENFRENTAR OS PRÓPRIOS MEDOS

Costumo dizer que a fronteira da decisão é o medo. Quando temos medo, somos impedidos de dar um passo a mais para ultrapassar a fronteira e verificar o que há logo em seguida.
Mas por que temos medo? Seria, por acaso, pura e simplesmente um processo químico que alimenta nosso cérebro em situações de tensão, desencadeando reações físicas como aceleração dos batimentos cardíacos, tensões musculares e aumento da frequência respiratória? Seria, ainda, uma forma natural de autoproteção em situações de perigo iminente? Poderia, quem sabe, ser uma mistura complexa de autoproteção aliado ao processo químico, fazendo uma junção das duas primeiras hipóteses.
A verdade é que não podemos ser precisos, pois cada pessoa reage de forma diferente as mais diversas situações de stress, gerando medo. A intensidade na sensação de medo pode ser maior ou menor não apenas pelo problema em si, mas também pela forma de encarar tal problema.
O inverso do medo é a coragem. Se estabelecermos um gráfico e nele colocarmos juntos o medo e a coragem, somados numa escala de zero a cem, onde seus tamanhos são valorizados de forma a facilitar a visualização, chegaríamos a uma conclusão comum: só teremos condições de enfrentar nossos medos a partir do momento em que a escala de coragem for maior que 50% em relação a escala do medo.
No livro NOVE MESES E QUARENTA MINUTOS, a psicóloga Amanda passa, desde sua infância, por situações que normalmente geram medo e certa insegurança: a perda de uma grande amiga, um assalto que acaba por influenciar na saúde de seu pai, a abnegação de sua mãe a própria vida em favor as necessidades dos seus, o término do seu namoro de forma inesperada e, finalmente, já adulta, por uma gestação de altíssimo risco a qual coloca sua própria vida “em xeque”. Com um diagnóstico prévio que a autorizava legalmente pela opção do aborto assistido, Amanda e seu esposo deveriam tomar uma decisão. Estavam diante de uma situação a qual a fronteira era o medo. O que viria após a decisão, independente se optando pelo aborto assistido ou não? O tamanho da coragem do casal é o destino final dessa emocionante história.
Importante salientar que para a tomada de uma decisão tão importante é necessário que se tenha responsabilidade, liberdade e, sobretudo, a saúde mental bem cuidada. Pessoas com sinais de ansiedade, depressão, ou qualquer outro transtorno psicológico importante, precisam de acompanhamento de profissionais especializados, para que a tomada de decisão não seja comprometida.
Ter coragem não significa não ter medo, mas agir de forma que o medo não impeça de seguir adiante. E para conhecer o que vem logo após a fronteira, é necessário dar um passo a mais.  Ter medo é natural, entretanto é salutar que o indivíduo desenvolva, com devido acompanhamento, sua capacidade de resiliência para que os processos advindos de insegurança e medo não se tornem traumas.
Sempre em frente... Sigamos!
João Borges
Escritor – Joinville/SC

PERDI A CONTA

  Eu já perdi a conta das vezes que tentei te descrever. Faltou vocabulário. Faltaram adjetivos. Sobraram qualidades em meio aos defeitos...